

Tim Maia foi um grande artista, não o conheci pessoalmente, mas sempre fui fã do cara. Em 1993 eu trabalhava na gráfica de George Poladian, irmão do empresário de shows Manoel Poladian. Nessa época Jorge Benjor, outro dos meus ídolos, desde sempre, era agenciado pelo Poladian. W/Brasil estava bombando nas FM's e a carreira do velho Jorge idem. Surgiu então a idéia de um show dos dois peso-pesados no Ginásio do Ibirapuera.
Fiquei super-empolgado, porque naquela época todos os materiais impressos dos shows do Poladian eram produzidos na gráfica do irmão. E no fim das contas os ingressos, credenciais, cartazes eram criados pelo próprio pessoal do bureau da gráfica. Pra mim era um privilégio poder homenagear meus dois ídolos e, quem sabe descolar uma visita ao backstage...
Só que a produção desses materiais era meio na raça, nada de banco de imagens, essas coisas. A gente se virava com o que tinha, muitas vezes com materiais de revista mesmo. Quando foi necessário criar as credenciais de imprensa, segurança e staff, não tinhamos nenhuma foto dos dois juntos, e as fotos separadas eram muito diferentes pra fazer uma fusão no Photoshop. A Chris, filha do Manoel apareceu na gráfica com uns recortes de revista e no meio deles tinha uma caricatura do Tim. Daí tivemos a idéia de aplicar a caricatura na camiseta do Benjor. A idéia foi tão bacana que o Poladian aprovou de primeira.
Na véspera do show, o Tim Maia apareceu pra ensaiar e fazer a passagem de som e viu as credenciais. Dizem que o cara surtou. Ameaçou não fazer o show. Um bafafá daqueles.
Já tava muito em cima da hora e não havia como imprimir novas credenciais e jeito foi improvisar com carimbos.
Daquele dia em diante, sempre que me encontrava, o Manoel Poladian brincava comigo, dizendo que o Tim Maia tinha mandado lembranças pra minha mãe.
Esse episódio foi relatado no livro do Nelson Motta (Vale tudo - Tim Maia) e foi conversando com um amigo que descobri que a estória foi parar nesse livro entre outras estórias do velho Tim.
Lembrando que vale tudo, menos por a caricatura do Tim Maia, na camiseta do Benjor.
Lá no topo a prova do crime, que o livro não mostrou.
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